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Servente de pedreiro desde a adolescência, Uelécson chega em sua casa no complexo de favelas do Jabuti após mais um cansativo dia de trabalho.

Percebe de cara alguns objetos revirados pela sala, e a bagunça estende-se até seu quarto, onde sua mulher provavelmente estivesse dormindo. Ainda de longe, ouve baixos sussurros de dor. Não entendendo nada, assusta-se e corre para o quarto verificar se sua esposa, Marieva está bem. Apenas vê um corpo de baixo das cobertas. Ele então o destapa e depara-se com a situação mais inimaginável de todas: sua esposa estava com a pele ressecada e sem cor, olhos vermelhos sem expressão alguma. E de boca seca, ela apenas murmurava: "Me ajude..."

Uelécson então corre para a sala procurar seu Nokia 2280 e liga para a emergência. Absolutamente nenhum sinal da sua operadora, Tim. Ele então volta para o quarto para ver o que pode fazer por Marieva.
Marieva agora encontrava-se de pé, no meio do quarto, apenas olhando para baixo. Por acidente, Uelécson pisa em um quadro quebrado que estava no chão fazendo um grande ruído. Isto parece ter despertado Marieva, que o encara rapidamente com fome no olhar. Ela corre em sua direção e tenta mordê-lo vorazmente de qualquer maneira. Uelécson nota o estado deturpado da mente de Marieva e a segura, tentando conversar com ela

- Marieva, sou eu! Sai dessa mina, vamo pro hospital que vai ficar tudo suave!

Marieva apenas continuava a ranger os dentes e a gemer, sem nenhum tipo de reação que lembrasse um ser humano. Sua esposa parecia um animal sedento por comida. Uelécson olha pela janela e vê mais 3 pessoas batendo em sua janela - estavam no mesmo estado de Marieva. Ele então juntou os pontos: apocalipse zumbi. Uelécson deixa Marieva amarrada na sala e corre para seu quarto pegar seu 38 no fundo do armário. Põe alguns mantimentos numa mala grande e corre em direção a garagem, onde estava estacionado seu Chevette 1975 amarelo.

Saindo do complexo do Jabuti com lágrimas nos olhos por ter perdido sua esposa Marieva, Uelécson agora nota que os zumbis tomaram a cidade e segue para...

...Vitória, onde mora seu irmão Vandercráusio. No caminho, enquanto ainda estava na BR 232, se deparou com um engarrafamento e muita confusão, então ele imaginou que a cidade estava em um caos total, e resolveu dar meia volta, desviar dos carros e tentar entrar na cidade por dentro dela. Chegando lá, percebeu que a cidade estava bem quieta, com somente alguns gemidos estranhos e muitos, muitos carros com pessoas mortas dentro. Com todo esse suspense e muita escuridão, resolveu chegar na casa do seu irmão e estacionar o seu amado carro bem silenciosamente.

Assim que estacionou seu carro, pegou seu 38, recarregou-o e olhou para a foto de sua amada. Triste, saiu do carro com o revólver na mão e bateu na porta da casa do seu irmão, ele estava com medo, então não resolveu chamar pelo seu nome, sabia que poderia atrair muitos zumbis para aquele lugar. Bateu muitas vezes na porta e quando percebeu que estava de madrugada, que ninguém atenderia e que vários zumbis já o tinham notado nas redondezas, resolveu arrombar a porta. De dentro da casa pôde ouvir gritos assustadores das criaturas que o perseguiam, então pegou o sofá que estava à sua direita e o colocou verticalmente na frente da porta, interrompendo alguns zumbis de entrar na casa. Rapidamente ele procura uma saída, procura pelo seu irmão em toda a casa, mas não acha nada, então entra no quarto e se esconde dentro do guarda-roupa, fazendo silêncio.

Finalmente os zumbis invadem a casa, gritos podem ser escutados, lá dentro estava quente, silencioso, tenebroso. Podia escutar seu coração bater e temia que os zumbis escutassem o mesmo. Lá dentro ele lembra da sua mulher, lembra dos momentos perfeitos que passou com ela e fica com saudades, ele fica triste e começa a lacrimejar. Do nada, aparentemente começa a escutar uma respiração intensa na sua direita. Lentamente, com muita cautela, vê o que está acontecendo e percebe que sua sobrinha Talia estava ali, transformada em um zumbi.

A menininha-zumbi percebe a presença de Uelécson e solta gemidos, alertando os zumbis que haviam invadido a casa. Ele, assustado, dá um pulo do guarda-roupa e corre dos zumbis por toda a casa. Com apenas 8 tiros no revólver, ele tenta destravar a arma para se salvar, mas sua inexperiência com armas era superior e ele acabou acertando um tiro em sua própria mão, mutilando um de seus dedos.

- PUTA QUE O PARIU!!!!!!

Com apenas 7 tiros, ele começa a atirar aleatoriamente, matando alguns dos zumbis, e acaba notando seu irmão no meio deles. Quando ele fica sem munição, pega a última bala que tinha em seu bolso. Sua sobrinha morde sua perna e seu irmão chega no seu peito. Com a última bala no seu revólver, e alguns zumbis tendo sua boa e velha janta, ele resolve pedir perdão.

- Me perdoe, pai.

Então lá se vai sua última bala do revólver.




Kk, a história é essa aí. A moral dela?



Espero que tenham gostado.
Last edited by Tadomikaari; May 12, 2015 at 11:05 AM. Reason: para facilitar a leitura
It's only after we've lost everything that we're free to do anything.