"Era uma noite brilhante, as luzes piscavam e as ruas iluminavam a vista do céu…
Era véspera de natal! Toda a família estava reunida em uma noite esplandecente,
muita fartura em nossa mesa e vários presentes de variados tamanhos e cores em
nossa árvore. Mamãe dizia que o Natal era a data favorita dela, onde ela poderia
comemorar com toda a família e desfrutar de todas aquelas delicias culinárias,
embora odiasse todas aquelas uvas passa no meio dos alimentos…
Não era algo que me satisfazia.
Lembro que antigamente não comemorávamos o Natal…"
Pois a crise estava abalando até os sentimentos mais profundos. A depressão estava em alta e não podíamos sequer debatê-la sem sermos constantemente pressionados a nos manter em um padrão.
A fome atingia o globo e o governo estava de mãos atadas, pois o capital se via constantemente entre altas e baixas. É claro que eu não podia ter feito nada, a não ser aguardar por dias melhores. Vi muitas famílias na ponta fina do céu e no largo e vasto caminho do limbo. Era triste e desolador ver tantas famílias sem um pingo de esperança de festejar... festejar o natal. Foi então que eu fui percebendo o quão frio e grotesco o mundo pode ser.
Mas no fim do túnel vi que não haveria boas novas sem que eu não procurasse por onde. Fui percebendo aos poucos que a luz do natal que nos preenche não está em finanças, mas sim no que cada um de nós pensa a respeito. Pensei em usar da alegria para contagiar as pessoas, comecei a visitar meus parentes e confraternizar com eles, a fim de entender mais cada coisa. Constatei que sequer eles tinham mais esperanças para o natal daquele ano, mas aquilo não me desanimou, e sondei por dias melhores, sondei por algo a mais... sondei pelo natal. Eu imagino que o motivo pelo qual nós não comemorávamos o natal, deva-se ao fato pelo qual muitos hoje não o fazem. A falta de fé, a descrença em um espírito fraterno, ou talvez quem saiba pelo simples fato de não terem tido uma família pela qual se espelhar, e assim foi se tornando um labirinto, sem fim, saída, ou qualquer vestígio de vida.
Eu não me sentia desolado por não comemorar o natal, mas sentia a falta de algo no dia. Aturei as mesmas propagandas esperançosas das emissoras de televisão por anos a fio. Não que me entediasse ver tais programas no natal, mas acabou se tornando um círculo vicioso, no qual eu não tinha um mapa para me direcionar. Me via em mil pedaços ver toda aquela gente cantando contente a alegria do natal. A música não me sai da memória. Vejo-a ainda hoje palpitando em minha mente:
Então é natal... E o que você fez... o ano termina, e começa outra vez
E era neste momento que eu me perguntava aonde estava o espírito natalino em minha família, o minimo que fazíamos, era o clássico café/almoço/jantar natalino, respectivamente panetone/arroz com passas/peru assado. E tudo no final acabava em sobremesa, o famoso pavê, e não nos esqueçamos do famoso '' é pra vê ou pra comê?'', a enfadonha piada dos tios sem assunto. Pelo menos um assunto não tão agradável, não a mim, e acho que a mais ninguém. Chega a ser megalomaníaco.
Contudo, porém e todavia, ter deixado passar um bom tempo a data natalina em branco, me ofereceu apenas uma maestria egoísta, a qual eu não tenho orgulho, é claro. Mas também não deixo de me vangloriar, pois foi ali, naquele erro, que eu aprendi.
Last edited by Perfect; Nov 27, 2016 at 05:53 AM.
Reason: erro técnico de ortografia